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Roscoe “Fatty” Arbuckle (aqui conhecido como o Chico Bóia), nasceu em 1887, fez mais de 167 comédias entre 1909 e 1933, maior parte pela Keystone (Companhia de cinema quelançou também Chaplin), casou-se com a também atriz Minta Durffé, sua companheira de estúdio e fez muito, muito dinheiro. No entando, uma tragédia, de proporções até então desconhecidas pela, ainda recente, Indústria Cinematográfica, iria acabar com sua carreira.
Em 1921, uma jovem chamada Virginia Rappé foi brutalmente estuprada e assassinada num hotel. Os jornais não tardaram a acusar Fatty do ocorrido, espalhando boatos de sua selvageria ao atacar a garota, mesmo que sem provas.
Na noite anterior, Fatty havia realizado uma festa, regada a muita bebida (embora estivesse proibido na época), no Hotel St. Francis. Por volta de 3 horas da manhã ele se recolheu ao seu quarto. Depois desses fatos surgiram duas versões para o que teria acontecido depois: uma do próprio Fatty, outra de Delmont.Segundo Maude Delmont (que também esteve na tal festa), o ator teria levado a garota de 26 anos para seu quarto e lá, já bêbado, batido e estuprado a mesma. Seus gritos poderiam ser ouvidos em todo o Hotel, e Delmond mesmo teria tentado abrir a porta, mas não conseguiu. Quando finalmente Fatty abriu a porta, ela pôde ver que Virginia estava sangrando muito.
Segundo o ator, quando ele entrou no quarto, encontrou Virginia em seu banheiro, já passando mal devido a uma hemorragia. Ajudou-a a deitar-se na cama, e foi em busca de ajuda. Virginia faleceu quatro dias depois do ocorrido, tendo como causa mortis, o rompimento da bexiga.
Fatty foi acusado e preso, inicialmente, por causa da bebida servida (que era proibida na época da Lei Seca). A imprensa sensacionalista, não tardou a espalhar boatos, de que Virginia Rappe tinha sido abusada sexualmente por Fatty, que havia utilizado para isso, garrafas de vidro, gelo e o que mais pudesse encontrar.
O escândalo levou-o aos Tribunais. Lá, sua testemunha de acusação foi exposta como mentirosa, e não houve provas contra ele. Foi então, absolvido. A Industria cinematográfica o apoiou, mas ao perceber que a opinião pública estava contra, retirou seu apoio. Estava provado que Arbuckle não era um estuprador. Especula-se que a hemorragia de Virginia tenha sido causado por um aborto mal feito.
Inocentado nos Tribunais, sua carreira nunca mais foi a mesma. Seu público o renegou ao esquecimento, seus amigos o abandonaram, as companhias viraram-lhe as costas.
Deanna Durbin (Edna Mãe Durbin) nasceu em 1921, em Winnipeg, no Canadá. Com apenas 1 ano, sua família mudou-se para os Estados Unidos. O talento precoce da jovem cantora logo é descoberto, e ela é descoberta, porJack Sherrill, que lhe vê durante um recital. Acaba sendo contratada pela MGM em 1935, aos 14 anos. Lá ela começa a conviver com outros jovens atores da “Grande família”, como era conhecida a MGM: Mickey Rooney, Fred Bartolomew, Jackie Cooper, e Judy Garland, também iniciante.
Só que a MGM, ao contratar duas adolescentes, ficou numa encruzilhada: tinha duas atrizes que não eram nem crianças, nem adultas suficientes, além de vozes potentes para a idade. A solução seria escolher uma das duas. E para isso, foi feito o filme Every Sunday (onde o talento das duas era testado). Não houve vencedoras no duelo, porém a MGM preferiu permanecer com Judy Garland sob contrato e dispensar Deanna.
Melhor para a Universal, que a contratou e viu seu primeiro filme pela companhia, “three Smart Girls”, ser considerado um sucesso imediato. Para divulgar os filmes, a atriz passou a divulgar seu trabalho em programas de rádios, como o de Eddie Cantor. Seu segundo filme, “Onde hundred Men and a Girl” veio consolidar seu sucesso. Em 1937 ela já tinha suas mãos gravadas no Grauman’s Chinês Theater. Dois anos depois recebia um Oscar honorário, por sua contribuição aos jovens.
Aos 19 casou-se com Vaughn Paul, mas acabaram se divorciando dois anos depois. Mesmo com a vida privada atormentada, novos filmes se seguiram, como The Amazing Mrs. Holliday, Hers to Hold e His Butler’s sister. Em 1945, novo casamento, dessa vez com Felix Jackson, com quem Deanna tem uma filha.
Em 1949, depois de 25 filmes, a atriz afastou-se da vida pública, após se casar pela terceira vez com Charles David (com quem ficou casada durante 48 anos até a morte dele, em 1999). Mesmo com diversas propostas, jamais quis voltar a vida pública. Deanna vive tranquilamente, em Paris, no seu doce anonimato.
Vale a pena conferir:
Querida Judy,
Escrevo-lhe esta carta com todo o carinho que tenho por você. Seria ótimo poder te dizer isso pessoalmente, mas eu sei que, em qualquer lugar que você possa estar, sei que está olhando por mim e por muitos outros fãs seus que tanto a admiram. Será que se eu ler isso em voz alta você escuta?
Nossa, você está fazendo 84 aninhos...quem diria! 82 deles foram dedicados a estar no palco, se apresentar, atuar. Isso é realmente incrível. Sabe, a primeira vez que eu ouvi você cantar eu tinha 6 anos de idade, quando assisti a “O Mágico de Oz” pela primeira vez, cantando “Over the Rainbow”. Meu deus, como você me encantou! Desde então, eu queria ser a Dorothy. Adorava tudo relacionado à ela: vestido, sapatos, cachorrinho. Queria tudo. E assim foi até eu ficar uns 4 anos sem assistir ao filme. Quando tinha 13, resolvi assistir, assim, do nada. Minha nossa, pra quê? Encantamento a primeira vista. Ainda mais depois que minha mãe começou a comentar sobre sua vida. Fiquei curiosíssima, e comecei a pesquisar tudo sobre você: biografia, filmografia, fotos...Tudo. E assim foram três anos inteiros: pesquisando, comprando fotos, discos, livros. E cada vez mais fico mais surpresa. Você foi uma mulher fortíssima, mesmo com tantos problemas que teve de enfrentar durante a vida.
Foi uma grande mãe: amou os filhos mais do que ninguém. Uma cantora mágica, que conseguia até transformar corações de pedra em corações de manteiga.
Uma atriz fabulosa: sempre emocionando a todos com suas atuações fantásticas. Não só eu, mas muitos já derramaram muitas lágrimas quando ouviam você cantar “It’s a new world” em “Nasce uma Estrela”.
E é por isso, Judy, que, acima de tudo, você foi uma pessoa fantástica, com um incrível senso de humor inigualável, um carisma incrível.
Judy, você me encanta cada vez mais. E sei que vai continuar encantando. Não só a mim, mas à muitas pessoas que, a cada dia, descobrem sua magia.
Quero desejar-lhe toda a felicidade do mundo nesse dia tão especial, e que esteja cada vez melhor aí em cima nesse lugar onde você está. Você foi uma estrela de Hollywood, e agora, é uma estrela do céu que ilumina nossas vidas.De sua grande fã,
Laura. Scholten Fruet
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Judy estaria completando 84 anos, se viva estivesse. Mas sua enorme voz ultrapassou o tempo e as distâncias. Uma homenagem à cantora, atriz e mulher, Frances Ethel Gumm.
Saliere (F. Murray Abraham) é um atormentado por suas memórias: em seu passado, viveu na corte, como o músico do rei, e esquecido por todos, tenta o suicídio. Não consegue. Diante de um padre, ele retoma a tragédia que foi a sua vida, a inveja e o rancor que sentiu pelo maior de todos os gênios musicais: Wolfgang Mozart (Tom Hulce), gênio e palhaço.
Mozart tornou-se conhecido por ter composto sua primeira ópera ainda na infância, aos 12 anos. Saliere não tinha a mesma sorte, e era apenas bom. Perceber que o “gênio” era também um tresloucado, que perseguia mocinhas e agia como uma pessoa insana e até simples deixou-o mais complexo. Fingindo-se de amigo, Saliere tenta compreender a mente de Mozart. Sua obsessão pelo jovem compositor acaba por leva-lo à miséria e à morte, com requintes de crueldade (Saliere faz com que Mozart componha o Requiem).
Este filme de 3 horas, com músicas (muitas!) clássicas e uma iluminação que utilizou luz natural (com velas, como seria na época), figurino impecável, e um roteiro escrito por Peter Shaffer, e atuações irretocáveis. Natural que tenha sido o grande vencedor do Oscar de 1984: foram 8 indicações, incluindo os de Melhor ator (F. Murray Abraham), Diretor (Milos Forman) e roteiro.